sábado, 1 de outubro de 2011

Outono

Detesto o outono,
mas não há como negar a beleza das cores,
é como uma tremenda nostalgia
do brilho do verão e da explosão de luz
é a morte do sol à escala das folhas,
uma super nova,
uma tremenda explosão de cor e luz,
a tentativa derradeira de brilhar,
de escapar à morte,
mas que não deixa de ser uma morte,
ou a senescência para o fim...
o fim das folhas....
o fim do verão,
o fim da luz...
é por isso que detesto o Outono,
e o escarlate, transporta sempre
um fundo artístico de tristeza!

terça-feira, 31 de maio de 2011

E por vezes o mar...


E por vezes...
o mar ...
encontra alguém
de olhos tristes
cuja água que vertem,
quer voltar
ao mar!
O mar então cria corpo
torna-se viscoso e sólido!
as ondas escurecem tornam-se cinzentas,
como os pensamentos,
tristes das lágrimas que voltaram
ao mar!
São depois transportados na corrente,
onde se diluem
o mar volta a ser líquido,
o cinzento, azul!
E aos olhos volta o brilho
sereno da tranquilidade,
e talvez mesmo a alegria!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

raio laser


Fui fulminada por um raio,
mas em vez de receber energia,
abriu-se um buraco na minha alma
e percebi
porque choram as crianças
quando caiem!
doi-lhes o corpo,
mas ainda mais a alma!!!
à pergunta se o nosso corpo é o nosso templo?
definitivamente SIM!!
E depois de um buraco feito por um raio,
preciso do pó de borboletas
para colmatar de novo a minha alma!

veio-me um frio gélido,
pela sombra do ombro!
percorreu a espinal-medula em busca de conforto,
mas o meu corpo
apenas tremeu de frio!
Está calor,
mas eu tenho frio,
algo sombrio
está à espreita
para me congelar a alma!
vou abrir as portas
ao zumbir da Primavera
e deixar entrar o Verão
à minha alma!

quinta-feira, 24 de março de 2011


Ser poeta é...
verter a alma na pena,
pôr os dedos a correr no teclado,
com pressa
para não se ver derramado
todo o mar
de lágrimas
que de repente nos toldam os olhos,
e já não deixam ver
o que se escreve no pensamento!
...é viver nas núvens,
mesmo quando o céu
está toldado!



terça-feira, 22 de março de 2011

A Floresta



Qual o valor da floresta?
o papel?
bem o papel pode conter mel,
mas também fel!
pode ser algo extraordinário,
mas também conter apenas algo refractário...
O ar que respiramos?
sim libertam oxigénio e dióxido de carbono,
é uma combinação em binário!
e que valor atribuir ao verde?
e à bruma?
ao azul da neblina,
que urge como espuma
ao levantar a madrugada...
E se pensarmos ainda,
que a Terra é um sistema fechado,
adiabático,
podemos ainda pensar em algo mais sorumbático...
e pensar que estamos a respirar também um pouco de ar Celta à mistura...
Mas para mim,
acima de tudo,
não são
se não
explosões
de cor!
do esplendoroso verde,
ao vermelho
e castanho,
como se de uma pauta de piano
se trata-se,
nesse compasso lento,
que são as estações do ano!